Em 2023, Bassam recolhia latas na rua, num país da península Arábica, para ganhar algum dinheiro. Foi assim que trabalhadores da linha de frente da Voice of the Martyrs (VOM) souberam da situação dele, segundo o relato publicado na época pela VOM Austrália.
Hoje o ex-muçulmano é o rosto do Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos, celebrado neste domingo, 1º de novembro. Segundo o Christian Post, Bassam foi deserdado pelo pai, espancado pelos cunhados e preso depois de se converter ao cristianismo, e continua falando de Jesus.
A VOM foi fundada pelo casal romeno Richard e Sabina Wurmbrand, que passou anos em prisões comunistas. Para a data, divulgou um vídeo de 88 segundos com o testemunho dele, informou o Heartlander News. A organização não nomeia o país. Descreve-o apenas como uma nação da península Arábica onde menos de 1% da população é cristã.
Diante do juiz, ele respondeu que Jesus é o seu Senhor
Quando Bassam entregou a vida a Cristo, conta a VOM, a mulher, muçulmana, não acreditou. Ela o expulsou de casa e mandou parentes atacá-lo: eles o espancaram e queimaram o carro dele. Depois abriu um processo contra ele.
Perguntado pelo juiz se havia mesmo se convertido, Bassam respondeu: “Sim, Jesus é meu Senhor e Salvador.” Mandaram que ficasse calado sobre a fé, mas ele não conseguiu. Na época, preocupava-se com o sustento na aposentadoria e com o futuro dos filhos, porque alguns deles também haviam decidido seguir Jesus.
No vídeo deste ano, ele conta que passou muitos anos espiritualmente adormecido, sem conhecer a verdade sobre Deus. Depois de encontrar Cristo, diz, “não consegui ficar em silêncio”.
Quando contou à mulher, foi expulso do apartamento. Hoje ela raramente o deixa ver as filhas. Os cunhados, segundo ele, o espancam com frequência. Bassam afirma que não vai voltar ao islã. Deu uma Bíblia à irmã, e uma das filhas agora segue a Cristo.
Por que, na península Arábica, a família costuma ser a primeira a perseguir
O tema de 2026 da VOM chama-se, em tradução livre, “Quando os familiares são os primeiros perseguidores”. Segundo a organização, quando homens e mulheres deixam o islã na península, a primeira oposição costuma vir da própria família. Podem ser envergonhados, humilhados ou espancados e, se não voltarem à religião anterior, são abandonados. Reunir-se com outros cristãos é difícil, e o isolamento é comum.
A Open Doors, que publica a Lista Mundial da Perseguição, descreve um padrão parecido em outros países da região. No perfil da Arábia Saudita, 13ª colocada na lista de 2026, convertidos que não escondem a fé arriscam ser deserdados e atacados por família e clã. Autoridades, acrescenta a entidade, às vezes agem a pedido de parentes ou da comunidade.
No Catar, diz a Open Doors, a mudança de religião não é reconhecida pelas autoridades e pode gerar problemas legais de estado civil e de propriedade. No Iêmen, onde a apostasia é punível com a morte pela lei, crentes também enfrentam divórcio e separação dos filhos. Na Arábia Saudita, a conversão tecnicamente acarreta pena de morte, embora não haja documentação recente de execuções oficiais por esse crime.
O que a VOM pede: oração para que sejam fiéis
Todd Nettleton, vice-presidente de mensagem da VOM nos Estados Unidos, disse ao Christian Post que o vídeo existe para dar rosto a quem recebe as orações. Para ele, é fácil o cristão americano pedir a bênção de Deus sobre os perseguidos sem ter uma imagem clara do que eles enfrentam.
Ao Heartlander, Nettleton contou que o primeiro pedido dos cristãos em países hostis é sempre o mesmo: orem por nós. E eles não pedem para escapar da perseguição, mas para permanecer fiéis. Segundo ele, Bassam enxerga o sofrimento como preço que vale a pena pagar pelo privilégio de falar de Cristo às pessoas ao redor.
Nettleton atribui a conversão de muçulmanos ao Espírito Santo e cita relatos de sonhos e visões em que pessoas encontram Jesus ou são levadas às Escrituras. Aponta também a insatisfação de quem convive com a violência de grupos que se dizem os praticantes corretos do islã. É a leitura dele, apresentada ao Christian Post.
A VOM oferece gratuitamente guias de oração, materiais de discussão e recursos para pastores. O dia está perto de completar 30 anos e nasceu de uma colaboração entre ministérios como a VOM e a Open Doors.
O que a Bíblia diz sobre inimigos dentro de casa
Em Mateus 10:34-37, Jesus avisa os discípulos de que segui-lo pode dividir famílias. “Os inimigos do homem serão os da sua própria casa”, diz o versículo 36. Em Marcos 10:29-30, ele promete a quem deixa casa e parentes por causa do evangelho uma família maior já neste tempo, “com perseguições”.
Em Atos 4:18-20, o Sinédrio manda Pedro e João deixarem de falar em nome de Jesus. Eles respondem que não podem deixar de falar do que viram e ouviram. A Bassam, segundo a VOM, também mandaram calar-se.
Nettleton diz entender, como cristão, o chamado bíblico de que, quando uma parte do corpo sofre, todas sentem a dor. A ideia está em 1 Coríntios 12:26.
Uma Bíblia para a irmã e 24 horas de oração
Nettleton conta que Bassam viu recentemente uma das filhas e outros familiares virem a Cristo. Pelo relato do próprio Bassam, a mulher segue limitando o contato dele com as meninas.
Neste domingo, a VOM nos EUA realiza 24 horas de oração nas redes sociais, com um novo pedido de cristãos perseguidos a cada hora. O de Bassam, nas palavras dele no vídeo, continua o mesmo: “Não importa o que aconteça comigo, vou falar às pessoas sobre Jesus.”